quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Os pecados da carne

Esta reportagem pode ser encontrada na Revisão Visão n.º 869, de 29 de Outubro de 2009.
Merece leitura atenta.
(Clicar nas imagens para aumentar)







sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Núcleo do Porto do PPA na Marcha Mundial pela Paz e a Não-Violência

O Núcleo do Porto do Partido Pelos Animais esteve ontem presente na etapa Portuense da Marcha Mundial pela Paz e a Não-Violência, que partiu do Marquês rumo à Avenida dos Aliados, onde foi formado o símbolo humano da Não-Violência.
A marcha fluiu alegre e colorida - ao som de música tradicional do noroeste peninsular e sob muitos olhares curiosos - constituída por várias centenas de pessoas que não tiveram medo da chuva e fizeram questão de se manifestar por um mundo livre de armas e violência. O PPA não poderia deixar de associar-se à iniciativa, já que a Paz e a Não-Violência fazem parte dos nossos princípios fundamentais. A Paz e a Não-Violência extensivas a todos os seres sencientes.
Passamos agora o testemunho aos Núcleos de Lisboa e arredores, que marcarão presença na última etapa da Marcha Mundial em Portugal, no próximo dia 14 de Novembro.




sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Um dia vegetariano por semana

Texto publicado no site do Partido Pelos Animais:

"Sabe que, no relatório «A Longa Sombra da Criação de Gado - Questões e Opções Ambientais», a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) declara que o sector da criação de gado emite gases nocivos em maior escala que os produzidos por todos os tipos de transportes em conjunto?

Sabe que o Banco Mundial demonstrou que, desde 1970, 91% da deflorestação na Amazónia está ligada às necessidades da indústria da carne, agravando os efeitos do aquecimento climático, que é um dos maiores problemas actuais do planeta?

Sabe que a indústria da carne é responsável por 37% de todo o metano devido às actividades humanas (que contribui para o aquecimento global 23 vezes mais que o dióxido de carbono), em grande parte produzido pelo sistema digestivo dos ruminantes, bem como por 64% do amoníaco que contribui para as chuvas ácidas?

Sabe que a pecuária intensiva é responsável pelo empobrecimento dos solos e põe em risco as reservas naturais de água, uma vez que a produção de um só quilo de carne de vaca necessita de 7 quilos de cereais ou feijões de soja e cerca de 15.000 litros de água?

Está consciente que a criação de gado incide assim directamente sobre o aquecimento climático, a poluição dos solos e dos lençóis freáticos, ao mesmo tempo que representa um terrível desperdício, pois perto de um terço dos cereais produzidos mundialmente destina­-se a alimentar animais?

Já pensou que, se os países “desenvolvidos” diminuíssem o consumo de carne, seria possível erradicar a fome que mata perto de seis milhões de crianças todos os anos no mundo?

Sabe que, a manterem­-se os números actuais da actividade piscatória, em 2048 não haverá peixes em liberdade nos mares e oceanos, o que acarreta consequências gravíssimas para o ecossistema? E sabe que os peixes e outros animais marinhos criados nas chamadas “fish farms”, usadas como alternativa à pesca em alto mar e que já fornecem metade do peixe consumido pelo ser humano, consomem eles próprios animais pescados em alto mar?

Sabe que as “fish farms” produzem largas quantidades de resíduos, que se espalham pelo oceano e mesmo até à costa, e que as concentrações anti-naturais em que os animais vivem nesses locais favorecem o desenvolvimento de uma série de doenças e parasitas?

A quem interessa este péssimo negócio, que só prejudica o planeta, o homem e os animais, criados, transportados e abatidos nas condições mais cruéis? A ninguém, excepto a uma minoria de grandes empresas e empresários, que, com o apoio dos governos e com a nossa colaboração, enriquece sacrificando à sua ganância as populações, os animais e o planeta.

É por isso que, tal como fez a Fundação Brigitte Bardot em França, o Partido Pelos Animais vem pedir ao Governo português que instaure um dia vegetariano em todas as instituições públicas, convidando as privadas a fazerem o mesmo. A exemplo do que sucede no município de Gent, na Bélgica, onde a Terça-feira foi delcarada “veggiedag”, sugerimos que todas as Terças-feiras as cantinas portuguesas apresentem ementas vegetarianas. A par disto, solicitamos aos cidadãos que, pelo bem do planeta, do homem e dos animais, se abstenham de comer carne e peixe nesse dia, o que é também extremamente benéfico para a saúde. Todos nos sentiremos melhor e, quem sabe, descobriremos que podemos estender progressivamente a dieta vegetariana a mais dias.

A redução do consumo de carne e peixe é hoje um imperativo ético, ecológico, terapêutico e económico, bem como o exercício da consciência cívica e política mais esclarecida que cada vez mais urge na actual situação do planeta.

Solicitamos à comunicação social que difunda esta proposta e a todos os cidadãos que a ponham em prática e divulguem por todos os meios.

Sexta-­feira, 23 de Outubro de 2009
A Comissão Coordenadora do Partido Pelos Animais


Fontes:

Livestock a major threat to environment (2006, 29 de Novembro). FAO Newsroom. Acedido em 21 de Outubro de 2009.
Opportunity Untapped (2006, 22 de Março). FAO Newsroom. Acedido em 21 de Outubro de 2009.
Biello, David (2006, 2 de Novembro). Overfishing Could Take Seafood Off the Menu by 2048. Scientific American. Acedido em 21 de Outubro de 2009.
Margulis, Sergio (2004). World Bank Working Paper No. 22: Causes of Deforestation of the Brazilian Amazon [versão electrónica]. The World Bank. Washington, D. C.. Acedido em 21 de Outubro de 2009
Schwartz, Mark (2009, 8 de Setembro). Stanford study: Half of the fish consumed globally is now raised on farms. Stanford University News. Acedido em 21 de Outubro de 2009.
Steinfeld, H., Gerber, P., Wassenaar, T., Castel, V., Rosales, M. e de Haan, C, (2006). Livestock's long shadow ­ Environmental issues and options [versão electrónica]. FAO. Roma. Acedido em 21 de Outubro de 2009.
Stober, Dan (2009, 20 de Fevereiro). Coasts catch fish farming’s dirty drift. Stanford University News. Acedido em 21 de Outubro de 2009."

Circos sem animais selvagens em Portugal

Texto publicado no site do Partido Pelos Animais:

"O Partido Pelos Animais congratula-se com a publicação da portaria 1226/2009, na edição de ontem do Diário da República, que, na prática, proíbe aos circos a detenção de animais selvagens e consequentemente também a sua utilização para fins de entretenimento.

O documento em questão, que proíbe a manutenção em cativeiro de cetáceos, primatas, ursos, felinos (excepto gatos), elefantes, focas, rinocerontes, hipopótamos, entre outras espécies, abre excepções apenas a instituições científicas, parques zoológicos, entidades dedicadas à actividade pecuária, centros de recuperação e projectos de conservação da natureza. A proibição não se aplica, contudo, a animais que já se encontrem neste momento detidos em circos ou outras instituições ou particulares não autorizados, que deverão ser registados no prazo de 90 dias. Ficam vedadas, isso sim, a aquisição de novos espécimes e a reprodução dos existentes.

Embora considere que se poderia ter ido mais longe, avançando para a recolha e recuperação dos animais actualmente detidos, o Partido Pelos Animais compreende as dificuldades inerentes a essa opção, bem como a importância de se facultar, nomeadamente aos circos, um período de adaptação suficiente. Assim, aplaudimos este passo essencial - e que já tardava - no sentido correcto, chamando porém a atenção para a necessidade de não negligenciar os animais presentemente detidos (inclusivamente em instituições autorizadas), procedendo a fiscalizações frequentes e rigorosas das condições em que são mantidos.

O Partido Pelos Animais espera agora que a esta alteração legislativa se sigam outras igualmente prementes no sentido de uma efectiva promoção do bem-estar animal em Portugal que, como Gandhi apontou e nunca é demais sublinhar, é reflexo da grandeza e progresso moral de uma nação. Enquanto partido político, essa será a nossa grande prioridade, reflectida na batalha pela consagração na Constituição da República Portuguesa do direito à vida e ao bem-estar de todos os seres sencientes."

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Hipocrisia chegou ao Bloco de Esquerda

O programa eleitoral do Bloco de Esquerda para as Eleições Legislativas 2009 era o único que defendia a proibição de rodeos em Portugal.
O único município do país onde se realizaram rodeos após as referidas eleições foi Salvaterra de Magos.
Salvaterra de Magos é, curiosamente, também o único município presidido por um autarca apoiado pelo Bloco de Esquerda.

Não tenhamos ilusões. Se queremos realmente uma profunda mudança na forma como a sociedade portuguesa trata os seus animais, só existe uma solução política.
E essa solução chama-se Partido Pelos Animais.

sábado, 3 de outubro de 2009

Partido Pelos Animais entrevistado pelo Ciberjunta

Paulo Borges, membro da Comissão Coordenadora do Partido Pelos Animais (PPA), concedeu uma entrevista ao Ciberjunta, portal das juntas de freguesia.
A entrevista pode ser lida aqui.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Núcleo do Porto do PPA celebra o Dia do Animal

Como saberão, no próximo Domingo, dia 4 de Outubro, celebra-se o Dia do Animal, e o Núcleo do Porto do Partido Pelos Animais vai naturalmente juntar-se às comemorações!
Vamos encontrar-nos às 16h no Cais de Gaia (em frente ao Posto de Turismo - junto ao parque de estacionamento) para um passeio pela zona, durante o qual vamos distribuindo panfletos, recolhendo assinaturas e naturalmente trocando ideias sobre o Partido Pelos Animais.
Esperamos que todos passem por lá:
- Para nos apoiarem;
- Para nos ajudarem na recolha de assinaturas;
- Para trazerem familiares e amigos para assinar;
- Para nos entregarem as folhas de assinaturas que já tenham preenchidas;
- Para estarem connosco e trocarmos opiniões sobre este projecto inovador.
Obrigado!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Lixo, tabaco e animais: na Ericeira, são iguais

Como já terá sucedido com muitos dos nossos leitores, tivemos conhecimento por email de uma situação que nos deixou francamente indignados e que torna evidente a extrema necessidade de se educar e consciencializar não apenas a população portuguesa mas também as nossas autoridades para o respeito pelos animais enquanto seres vivos sencientes.

Trata-se de duas fotografias de placas informativas, tiradas na praia da Ericeira por alguém que também se indignou ao lê-las.

A Junta de Freguesia da Ericeira, num louvável esforço para preservar a limpeza das suas praias, coloca os animais na mesma categoria que o lixo e o fumo do tabaco, servindo-se de adoráveis desenhos de crianças para demonstrar o desagrado dos veraneantes quando estes factores se encontram presentes e a sua alegria quando nem lixo, nem tabaco, nem animais fazem parte da paisagem. Lamentável, embora compreensível num país onde os animais de estimação continuam a ser largamente vistos como "coisas" sujas e perturbadoras, que as autarquias delegam no departamento de higiene e limpeza e cujo acesso a diversos locais públicos se encontra vedado. Em vez de se sensibilizar os donos para a necessidade de educarem os seus animais, fazerem uso da trela, recolherem os seus dejectos, etc., simplesmente proíbe-se a entrada aos animais. A solução mais fácil e rápida, talvez. Mas desrespeitadora da dignidade dos animais e altamente incómoda para os donos conscientes e respeitadores que fazem questão de se fazer acompanhar dos seus amigos de quatro patas em locais onde sabem que estes não causariam a mínima perturbação.

Na Ericeira, não só se recorre a essa solução facilitista, triste e retrógrada, como ainda se faz questão de instruir as crianças nesse sentido. Para que desde cedo interiorizem a visão de que os animais são coisas - coisas a que até podemos dar alimento e abrigo, com quem podemos brincar e passear, mas coisas nojentas que não queremos ter por perto na praia, no restaurante ou no jardim. E a Junta de Freguesia da Ericeira vai mais longe: faz dos alunos da EB 1 da Ericeira (isto é, crianças até aos 10 anos) vigilantes atentos, pequenos delatores prontos a fotografar e denunciar os criminosos que tenham o descaramento de passear na praia com os seus cães - mesmo que de trela, sem incomodar ninguém e recolhendo os eventuais dejectos.

Não é este o caminho que o Partido Pelos Animais pretende apontar aos adultos de amanhã. Situações como a presente, ao mesmo tempo que nos entristecem pela percepção de quanto ainda há a evoluir, dão-nos mais forças para avançar, pelo reconhecimento de que quem lamenta a realidade em que vive tem a obrigação de lutar para transformá-la.


quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Balanço da presença do Partido Pelos Animais na Red Bull Air Race

Tal como referido anteriormente, o Partido Pelos Animais esteve presente na Red Bull Air Race, que decorreu, nos dias 12 e 13 de Setembro, nas ribeiras do Porto e Gaia, com o intuito de recolher assinaturas para a sua formação.
E, como esperávamos, vivemos um fim-de-semana em grande.
Recolhemos 480 assinaturas, conversámos com as pessoas, respondemos a perguntas e sobretudo divulgámos largamente o Partido Pelos Animais.

Gostaria de agradecer a todos os que estiveram connosco, nomeadamente:
- Noémia Nogueira, grande amiga dos animais, por ter colocado à nossa disposição a sua loja Portowellcome, em plena ribeira de Gaia;
- Voluntários do PPA-Porto, que ajudaram a conseguirmos este bonito número de 480 assinaturas;
- Amigos e família que também lá apareceram para ajudar;
- Restantes pessoas que por lá passaram e que assinaram, perguntaram e trocaram ideias connosco.

Aqui ficam as fotos para mais tarde recordar:



Ana Bacalhau apoia o Partido Pelos Animais

Mais um apoio ao Partido Pelos Animais vindo de uma figura conhecida em Portugal.
Desta vez foi Ana Bacalhau, vocalista dos Deolinda, a expressar o seu apoio a este movimento como solução para resolver os actuais problemas em que se encontra mergulhado o nosso país no que diz respeito à defesa dos direitos dos animais.
Podem ler o depoimento dela aqui.



Outros notáveis que também já manifestaram o seu apoio à nossa causa:

Heitor Lourenço


Sandra Cóias


Pedro Laginha


Ágata


Blasted Mechanism

Partido Pelos Animais com Blasted Mechanism em Rio Maior

No passado dia 5 de Setembro, os Blasted Mechanism foram tocar a Rio Maior e o Partido Pelos Animais esteve presente a recolher assinaturas para a sua formação.
Constituiu, igualmente, uma oportunidade para voluntários do Partido Pelos Animais se conhecerem e trocarem ideias e experiências.
Aqui fica a foto de grupo:

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Partido Pelos Animais na Red Bull Air Race

Nos próximos dias 12 e 13 de Setembro, o Partido Pelos Animais estará presente na Red Bull Air Race, que decorrerá nas ribeiras do Porto e Gaia.
Trata-se de um evento onde são esperadas 600 mil pessoas durante dois dias, o que significa uma oportunidade de ouro para a recolha de assinaturas.
O PPA estará representado num local privilegiadíssimo, em plena ribeira de Gaia, logo após a ponte D. Luís (assinalado na foto) e espera que todos passem por lá:
- Para nos apoiarem;
- Para nos ajudarem na recolha de assinaturas;
- Para trazerem familiares e amigos para assinar;
- Para nos entregarem as folhas de assinaturas que já tenham preenchidas;
- Para estarem connosco e trocarmos opiniões sobre este projecto inovador.

Contamos contigo para fazer deste um fim-de-semana em grande!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Partido Pelos Animais à conversa com Animais da Quinta

O Partido Pelos Animais esteve ontem à conversa com Marto Fontes, Presidente da Associação Animais da Quinta.
Esta associação nasceu no dia 28 de Junho de 2005, e é hoje o orgulho daqueles que estão nela envolvidos.
Os principais objectivos desta associação passam por recolher animais (essencialmente cães) em situações precárias e reabilitá-los; proporcionar-lhes qualidade de vida e ambiente familiar sempre com vista ao encaminhamento para adopção; promoção de campanhas de adopção, esterilização/castração, contra o abandono e maus tratos, e demais campanhas de ajuda e protecção aos animais.
Também a Animais da Quinta se disponibilizou a ajudar à concretização do nosso objectivo: 7.500 assinaturas para permitir a criação de um partido que efectivamente defenda os direitos dos animais em Portugal.
Mais informações sobre esta associação aqui.

sábado, 29 de agosto de 2009

PPA visita Cantinho dos Animais Abandonados de Viseu

O Partido Pelos Animais visitou hoje o Cantinho dos Animais Abandonados de Viseu.
Estivemos à conversa com a nossa amiga e grande amiga dos animais Ana Vaz.
O Cantinho de Animais Abandonados de Viseu é a 1ª Associação Zoófila do distrito de Viseu, sem fins lucrativos, fundada em 4 de Março de 1993.
A Associação recolhe gatos e cães abandonados, que são tratados, desparasitados e vacinados.
Esta associação faz um trabalho notável na recolha, esterilização e adopção de animais abandonados do distrito de Viseu.
E tem igualmente dado um apoio relevante ao Partido Pelos Animais, onde se inclui a recolha de mais de 400 preciosas assinaturas, que constituem uma importante ajuda para a concretização do nosso objectivo: 7.500 assinaturas para permitir a criação de um partido que efectivamente defenda os direitos dos animais.
Acabamos por assistir “in loco” à chegada de mais uma cadelinha abandonada (ver foto em baixo), que será esterilizada e ficará à espera de ser adoptada. Esta acabou por ter sorte e agora só espera um dono e amigo que lhe dê o que ela merece.
Mais informações sobre o Cantinho dos Animais Abandonados de Viseu aqui.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Partido Pelos Animais: Realidade ou Utopia?

Paulo Borges, membro da Comissão Coordenadora do Partido Pelos Animais (PPA), concedeu uma entrevista à revista semanal online Animalia.pt.

Considero uma entrevista brilhante e extremamente importante, pois são já definidas claramente muitas das linhas de orientação do PPA. E pelas quais muitos de nós vão, seguramente, lutar nos próximos tempos.
De seguida transcreve-se essa entrevista, que pode também ser lida aqui.

"O projecto é muito real e conta já com o apoio de muitos voluntários e de várias figuras públicas, nacionais e internacionais, nomeadamente de Sua Santidade o Dalai Lama. Para já a recolha de 7500 assinaturas de cidadãos eleitores é essencial para formalizar a inscrição do partido junto do Tribunal Constitucional, mas Paulo Borges, membro da Comissão Coordenadora do Partido Pelos Animais (PPA), faz uma projecção das actividades do mesmo e explica, especialmente aos mais cépticos, a viabilidade de uma ideia que surgiu da amizade entre pessoas... E animais.

Como é que surgiu a ideia de formar um novo partido e de o relacionar tão intimamente com os animais?
Algumas das pessoas que estão neste momento na comissão coordenadora do Partido Pelos Animais foram-se conhecendo no decurso de petições apresentadas por cada um de nós. O António Santos, que é o actual Presidente da Associação Desenvolvimento Natura, fez uma petição contra o uso de peles pela estilista Fátima Lopes nas suas criações. O Pedro Oliveira fez uma petição contra o massacre dos golfinhos no Japão, que já juntou cerca de 1.300.000 assinaturas. Eu apoiei uma petição não directamente relacionada com os animais mas contra a opressão que sofrem os tibetanos, por altura dos Jogos Olímpicos do ano passado. Enfim, conhecemo-nos basicamente por apoiarmos as petições uns dos outros e acabámos por constatar que talvez fosse importante, em termos de estratégia, criar um partido político que fosse a voz de todos os que (particulares e associações) defendem os direitos dos animais e a protecção do ambiente. E que defendesse também um outro paradigma mental que consideramos ser importante no início deste 3º milénio: as pessoas têm de mudar a forma como se relacionam com a natureza e com os seres vivos, incluindo o próprio Homem. Este partido não pretende de forma alguma ser monotemático. A ênfase que damos aos direitos dos animais deve-se ao facto de estes serem, regra geral, os mais desprotegidos.

Consideram então que, dentro dos partidos que existem actualmente no nosso país, os direitos dos animais não são considerados?
As nossas petições tiveram o apoio de pessoas de todo o leque partidário português. O que constatámos foi que, apesar de a protecção dos direitos dos animais estar contemplada nos programas de alguns partidos, nomeadamente do Partido Ecologista “Os Verdes” e do Bloco de Esquerda, na prática muito pouco ou quase nada tem sido feito pelos mesmos em prol dos animais. Mesmo quando aparece, a causa animal está sempre muito diluída noutros assuntos considerados mais importantes. Daí a necessidade de tornar esta questão num alvo central. Não que consideremos que esteja sempre acima de outros interesses, nomeadamente os dos homens, mas achamos ser necessário um partido que tenha em igual consideração os interesses dos animais humanos e não humanos. Partimos do princípio de que todos os seres vivos têm o mesmo interesse fundamental: viverem a experiência do prazer, do bem-estar ou da felicidade e evitarem a dor. O que pretendemos é que haja uma sociedade orientada e organizada para que possamos, nós, todos os seres sencientes, atingir o mais possível este objectivo.

Na prática, em que se distinguirão as acções do Partido Pelos Animais daqueles já existentes?
Isso está neste momento a ser alvo de discussão entre todos nós e é precoce desenvolver esse assunto, já que estamos a juntar especialistas nas diversas áreas para estabelecermos objectivos muito concretos. De qualquer modo, o fundamental é consagrar na Constituição da República Portuguesa o direito de todos os seres sencientes à vida e ao bem-estar. A partir daí serão possíveis alterações jurídicas de fundo, que criminalizem os maus tratos e os atentados à vida dos animais. A par de uma campanha pedagógica, há muita coisa a mudar para acabar com os autênticos campos de concentração para animais da pecuária intensiva, bem como no modo de serem transportados, na desnecessária experimentação científica de que são vítimas, nas condições miseráveis em que se encontram em muitos canis municipais. Há que considerar crime abandonar os animais de companhia. Há que reduzir e suprimir o uso das peles no vestuário. Há que reduzir as taxas que incidem sobre os produtos de origem vegetal e biológica e promover a divulgação de alternativas alimentares vegan-vegetarianas. As consultas e os medicamentos veterinários devem ser comparticipados e dedutíveis no IRS. A esterilização dos animais domésticos deve ser gratuita e deve-se pôr fim à massiva eutanásia de animais saudáveis.Em termos da natureza e do ambiente há também que promover um real desenvolvimento sustentável, ensaiar e progressivamente privilegiar modelos de desenvolvimento alternativos, que preservem a diversidade cultural, biológica e ecoregional. Deve-se substituir quanto possível as energias não-renováveis (petróleo, carvão, gás natural, energia nuclear) por energias renováveis e alternativas (solar, eólica, hidráulica, marmotriz, etc.), superando a vulnerabilidade e as dependências de uma economia baseada no petróleo e nos hidrocarbonetos. Um problema planetário é o do aquecimento global, que pode ter como uma das principais causas todo o processo implicado na produção de carne. Considerando a desflorestação para pastos, o consumo de água e os custos não compensados de tudo isso, torna-se evidente que, além de ser uma violência injustificável para os animais, a alimentação carnívora não é um bom negócio para o homem, em termos ambientais, económicos e de saúde. Todos perdemos, em troca do lucro egoísta dos grandes produtores. É essencial que as pessoas tomem consciência desta realidade.Por outro lado, há que fiscalizar o cumprimento da legislação existente, embora limitada, o que se torna mais premente no que respeita aos animais. Sabemos que muitas denúncias feitas ao SEPNA (GNR) não têm qualquer consequência, por insuficiente motivação e eficácia das autoridades policiais e jurídicas. Há uma cultura da impunidade quando se trata de ofensas a um animal. Temos de lutar por uma melhor integração dos animais na nossa sociedade, visando o seu bem-estar e, consequentemente, o nosso.

Consideram-se um partido de extrema-esquerda, esquerda, centro...
Não somos um partido extremista, nem nos podemos situar na direita, no centro ou na esquerda, categorias cada vez mais anacrónicas. Somos um partido inteiro, que pretende que se estabeleça um equilíbrio para que todos, e não apenas alguns, possam atingir os objectivos que nos tornam felizes, sem prejudicar os outros seres vivos.Gostava de salientar que um dos princípios do partido é a não-violência, não só física mas também verbal e mental. Não pretendemos afirmar-nos pela negativa. Não vamos lutar contra os outros partidos. Gostávamos inclusivamente de contribuir para que estes incluíssem na sua agenda política a causa do ambiente e dos animais e fazer algo de concreto por ela. Se isso lhes trouxer votos tanto melhor, desde que os problemas nestas áreas sejam de facto resolvidos. O que nos importa acima de tudo é que estas causas e tudo o que com elas se relaciona se tornem cada vez mais presentes nas referências da população portuguesa, que integrem a sua ordem de valores. Nesse sentido sabemos que temos muito trabalho pela frente, sobretudo de carácter cultural e pedagógico. Temos de formar as mentalidades e as sensibilidades para verem as coisas de outra forma. Precisamos essencialmente de passar informação às pessoas, já que acreditamos que é a ignorância de grande parte da população em relação a estes assuntos, e não o facto de as pessoas serem intrinsecamente más ou cruéis, que as faz desconsiderar que estão a lidar com seres vivos que são sencientes e que não se justifica tratá-los como coisas. Para isto não são necessárias acções espectaculares ou provocatórias, mas sim uma postura o mais responsável, científica e construtiva possível.

Porquê começar este projecto agora?
Por um lado aconteceu que se constituiu um excelente grupo de trabalho com objectivos comuns. Por outro lado, começámos a constatar que a ideia gerava muito entusiasmo entre as pessoas a quem a expúnhamos. Sentimos ainda que existe actualmente um grande descrédito em relação aos partidos existentes, quer em relação àqueles que têm estado alternadamente no poder, quer aos que têm estado sistematicamente na oposição. Isto revela-se pelo crescente número de abstenções e pelo crescente número de votos em branco. Ou seja, há muitas pessoas que se dão ao trabalho de ir votar, reconhecem que é um direito e um dever, mas não conseguem optar por um partido que as represente. Para estas e para os abstencionistas talvez seja necessário um partido novo que tenha objectivos diferentes daqueles que existem actualmente. Estamos a chegar a um momento crítico em que há como que um esgotamento de um determinado paradigma mental e civilizacional, que tem obviamente uma expressão social, política e económica. É um tempo que está a chegar ao seu fim, já que nos arriscamos inclusivamente a um colapso violento das estruturas dominantes e temos de arranjar alternativas a este panorama.

Que dimensão pensa que pode atingir o PPA?
Isso para nós é neste momento uma incógnita. Sentimos que é um projecto muito recente e ambicioso, em que um elemento algo inédito e até excêntrico pode cativar um grande público, que habitualmente se auto-exclui da política, e reverter a nosso favor. Podemos ser uma alternativa para aquelas pessoas que não se revêem em nenhum dos partidos que existem actualmente, nem no “sistema” dominante. Podemos motivá-las e sensibilizá-las com a nossa proposta, que consideramos ser a única que não se integra no actual sistema. Assim, estamos convencidos que podemos atingir e mobilizar muita gente, embora a intenção deste projecto não seja de todo a busca do poder pelo poder. Se assim fosse ter-nos-íamos inscrito num dos grandes partidos, aqueles que deixam sempre tudo na mesma. A nossa motivação não é essa. Claro que o nosso grande objectivo, a partir do momento em que concorramos às eleições, será ter representação no Parlamento. Não prevemos qual o nível que esta possa atingir, mas o importante é estarmos presentes e dar voz aos que a não têm."